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SOCIEDADE

Criminalidade juvenil espalha terror e luto em bairros de Maputo e Matola 

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Vários bairros suburbanos da cidade e da província de Maputo estão mergulhados num clima de insegurança e medo devido à actuação de gangues juvenis violentas. Relatos dramáticos vindos de zonas como Bunhiça, Tsalala e Liberdade, apontam para a existência de grupos organizados de adolescentes, com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos, que recorrem a instrumentos contundentes e armas brancas para agredir e assaltar cidadãos indefesos na via pública. 

A violência destes grupos, muitos dos quais integrados por estudantes das escolas secundárias Alfredo Namitete e Liberdade, está associada ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e à proliferação de focos de venda de drogas, vulgarmente conhecidos como “bocas de fumo”.  

O cenário de impunidade é de tal ordem que até as lideranças comunitárias locais, como chefes de quarteirão, enfrentam ameaças directas de integridade física. Os residentes queixam-se de que os menores prevaricadores demonstram total desrespeito pelas próprias autoridades policiais, recusando-se a obedecer a intimações e disputando o controlo territorial das ruas através de confrontos armados. 

O caso mais grave desta vaga de criminalidade resultou na morte trágica de Zacarias, um jovem de 21 anos de idade, assassinado à facada no bairro da Liberdade. A vítima terá sido intercetada por um dos membros da gangue que actua em Bunhiça. O indiciado pelo crime, que já se encontra sob custódia, alegou ter agido em legítima defesa, uma versão contestada por familiares e amigos da vítima, que descrevem o malogrado como um pacífico cidadão que se encontrava no local errado à hora errada. 

O clima de tensão estendeu-se ao funeral de Zacarias, onde o cortejo fúnebre foi marcado por agitação, desfiles ruidosos de motorizadas e tumultos provocados por dezenas de jovens que acompanhavam a urna.  

Perante o clamor público, as autoridades policiais e municipais prometeram reforçar o policiamento comunitário e desmantelar os grupos que continuam a circular livremente pelas artérias da região. 


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