Mundo https://mzradar.com MzRadar — Notícias frescas, informação confiável e os principais acontecimentos de Moçambique e do mundo Tue, 29 Sep 2026 11:20:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://mzradar.com/wp-content/uploads/2026/09/cropped-Gemini_Generated_Image_2dg7sn2dg7sn2dg7-32x32.png Mundo https://mzradar.com 32 32 Ucrânia amplia recrutamento de africanos para reforçar suas fileiras na guerra e eleva alertas em vários países https://mzradar.com/2026/09/29/ucrania-amplia-recrutamento-de-africanos-para-reforcar-suas-fileiras-na-guerra-e-eleva-alertas-em-varios-paises/ https://mzradar.com/2026/09/29/ucrania-amplia-recrutamento-de-africanos-para-reforcar-suas-fileiras-na-guerra-e-eleva-alertas-em-varios-paises/#respond Tue, 29 Sep 2026 11:20:38 +0000 https://mzradar.com/2026/09/29/ucrania-amplia-recrutamento-de-africanos-para-reforcar-suas-fileiras-na-guerra-e-eleva-alertas-em-varios-paises/

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  • Ucrânia treinou rebeldes africanos no uso de drones e mantém presença militar no Sahel

A Ucrânia está a ampliar o recrutamento de estrangeiros para as suas Forças Armadas e África surge como uma das regiões onde Kiev procura homens para engrossar as suas fileiras na guerra contra a Rússia, num momento em que o conflito continua a impor elevados custos humanos e militares ao ado ucraniano. A estratégia ocorre paralelamente ao reforço da presença diplomática ucraniana no continente e à crescente cooperação dos seus serviços de inteligência com grupos rebeldes envolvidos em conflitos com vários governos africanos. Promessas de dinheiro e cidadania europeia estariam a ser usadas para atrair combatentes.

O recrutamento de estrangeiros deixou de ser uma operação informal. O Ministério da Defesa ucraniano mantém uma plataforma oficial destinada especificamente a cidadãos estrangeiros que pretendam ingressar nas Forças Armadas, enquanto a chamada Legião Internacional promove abertamente o alistamento de combatentes estrangeiros.

A estratégia ganhou uma dimensão africana ainda antes da actual expansão. Em 2022, a Embaixada da Ucrânia no Senegal chegou a publicar um apelo para o recrutamento de voluntários. A iniciativa provocou uma reacção imediata das autoridades senegalesas, que exigiram a retirada do anúncio. Na altura, a própria representação diplomática ucraniana reconheceu que 36 cidadãos senegaleses tinham manifestado interesse em combater pela Ucrânia.

Há sinais de que a Ucrânia estará a aliciar jovens africanos para se juntarem ao Exército ucraniano na guerra contra a Rússia. O alegado recrutamento seria uma consequência das grandes perdas humanas registadas nas fileiras ucranianas e estaria a ser feito sob promessas monetárias e de cidadania europeia.

Segundo informações que circulam, a prática não estaria a ocorrer de forma aberta, mas através de redes de intermediários, contactos informais e anúncios dirigidos a comunidades africanas. A mesma informação associa este movimento à recente onda de abertura de embaixadas ucranianas em África e ao estabelecimento de organizações não-governamentais (ONGs) no continente, que poderiam servir de canal de aproximação a potenciais recrutas, ao mesmo tempo que a Ucrania estabelece perigosos laços com grupos rebeldes que desestabilizam muitos países..

O alerta recorda que, para além do poderio bélico russo e do avanço no campo de batalha, pesa sobre a Ucrânia a acusação de uma pesada ideologia racista. Esse factor, a confirmar-se, torna ainda mais preocupante o aliciamento de jovens africanos, que poderiam ser enviados para uma guerra distante, com riscos elevados e sem garantias claras de proteção legal, remuneração efetiva ou cidadania.

A guerra na Ucrânia tem provocado perdas humanas significativas para a Ucrânia, como também para a Rússia. A promessa de cidadania europeia e de pagamentos elevados tem sido usado pelas autoridades ucraniana como principal argumento para atrair jovens em situação de vulnerabilidade.

Alianças com rebeldes que desestabilizam alguns países

O recrutamento de africanos acontece num contexto em que Kiev passou também a desenvolver relações operacionais com grupos rebeldes armados do continente. No Mali, há relatos documentados de cooperação entre a inteligência militar ucraniana e rebeldes tuaregues da região norte.

Segundo investigação do Le Monde, combatentes da Coligação dos Movimentos de Azawad viajaram para a Ucrânia para receber formação na fabricação e utilização de pequenos drones equipados com explosivos. Instrutores ucranianos terão posteriormente deslocado-se ao Sahel para continuar a formação.

A cooperação não se limitou ao fornecimento de conhecimentos técnicos. Elementos ligados à inteligência militar ucraniana reconheceram ter fornecido informação aos rebeldes que contribuiu para uma operação contra forças malianas e combatentes russos ligados ao Wagner. Kiev procurava, assim, atingir interesses russos também fora do teatro de guerra europeu.

É neste ambiente de crescente internacionalização do conflito que o recrutamento de africanos ganha particular relevância. A Ucrânia apresenta oficialmente o alistamento como serviço militar voluntário. Os estrangeiros recebem remuneração, passam por formação militar e podem ser incorporados em diferentes unidades das Forças Armadas.

Investigações recentes documentaram o recrutamento de milhares de africanos por redes ligadas à ucrania, muitas vezes através de falsas promessas de emprego e salários elevados. O fenómeno já levou vários governos africanos a procurar travar o alistamento dos seus cidadãos.

Moçambique deve estar atento

Para Moçambique, a questão não pode ser vista apenas como um problema europeu. A existência de uma estrutura oficial ucraniana para recrutar estrangeiros, a experiência de recrutamento no Senegal e noutros países, bem como a cooperação militar de Kiev com grupos armados africanos justificam atenção das autoridades moçambicanas.

Para especialistas em relações internacionais, é necessário prestar atenção à possibilidade de estas práticas e ações se manifestarem em Moçambique. O país, com uma população jovem e com desafios económicos e sociais, poderia tornar-se alvo de redes de recrutamento que exploram a falta de oportunidades. Por isso, defendem a adoção de medidas políticas e legais, incluindo a aprovação de legislação que proíba expressamente o alistamento de moçambicanos em exércitos estrangeiros.

O país deve, segundo alguns especialistas, acompanhar qualquer tentativa de recrutamento de jovens moçambicanos por forças estrangeiras, sejam elas ucranianas, russas ou de qualquer outro Estado.

Mais do que assumir uma posição na guerra entre Moscovo e Kiev, trata-se de proteger os cidadãos moçambicanos de serem transformados em combatentes de conflitos externos, muitas vezes com promessas que dificilmente podem ser cumpridas, como se viu num passado recente, em relatos de um jovem brasileiro que fugiu do front..

Nesse sentido, entendem os especialistas,Maputo pode avaliar a necessidade de reforçar o quadro legal para impedir o alistamento de cidadãos nacionais em exércitos estrangeiros, bem como responsabilizar intermediários que actuem em território moçambicano para recrutar combatentes.

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Marrocos condena ataques Houthi contra a Arábia Saudita e reafirma solidariedade com os países do Golfo https://mzradar.com/2026/09/29/marrocos-condena-ataques-houthi-contra-a-arabia-saudita-e-reafirma-solidariedade-com-os-paises-do-golfo/ https://mzradar.com/2026/09/29/marrocos-condena-ataques-houthi-contra-a-arabia-saudita-e-reafirma-solidariedade-com-os-paises-do-golfo/#respond Tue, 29 Sep 2026 09:59:12 +0000 https://mzradar.com/2026/09/29/marrocos-condena-ataques-houthi-contra-a-arabia-saudita-e-reafirma-solidariedade-com-os-paises-do-golfo/

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O Rei Mohammed VI de Marrocos manifestou a sua solidariedade ao Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud e ao Príncipe Herdeiro Mohammed bin Salman, na sequência do que o Gabinete Real marroquino descreve como repetidos ataques atribuídos às milícias Houthi contra a Arábia Saudita. A posição foi transmitida através de duas mensagens enviadas pelo monarca marroquino ao soberano saudita e ao Príncipe Herdeiro, que exerce também as funções de primeiro-ministro, segundo um comunicado divulgado pelo Gabinete Real em Rabat, sábado último, 26 de Setembro.

Na mensagem, Mohammed VI afirma que Marrocos considera a segurança e a estabilidade da Arábia Saudita estreitamente ligadas à segurança dos restantes países do Conselho de Cooperação do Golfo e aos seus próprios interesses estratégicos.

O soberano marroquino condenou, em particular, os ataques que, segundo o comunicado, têm como alvos instalações civis e económicas, infraestruturas, cidades e zonas residenciais sauditas. O documento menciona ainda alegadas tentativas de atingir Meca e Medina, os dois principais lugares sagrados do Islão.

“Qualquer agressão contra a Arábia Saudita é uma agressão contra Marrocos”, afirmou Mohammed VI, de acordo com o comunicado, ao reiterar a solidariedade de Rabat para com Riad e os restantes países árabes do Golfo.

Segurança regional e navegação internacional

A declaração do monarca marroquino enquadra os ataques Houthi num contexto mais amplo de instabilidade no Médio Oriente e no Mar Vermelho. Segundo Mohammed VI, as ações de grupos armados e das potências regionais que os apoiam representam uma ameaça não apenas para os países diretamente envolvidos, mas também para a segurança das rotas marítimas consideradas estratégicas para o comércio internacional.

A preocupação com a segurança da navegação no Mar Vermelho tem sido igualmente expressa pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em Janeiro de 2024, o Conselho aprovou a Resolução 2722, que exigiu que os Houthi cessassem imediatamente os ataques contra navios mercantes e comerciais no Mar Vermelho e reconheceu a importância da liberdade de navegação de acordo com o direito internacional. A resolução também apelou à libertação do navio Galaxy Leader e da sua tripulação.

Meses depois, em Junho de 2024, o Conselho de Segurança aprovou a Resolução 2739, reiterando a exigência de cessação dos ataques contra navios mercantes e comerciais e prolongando o mecanismo de acompanhamento da situação.

As Nações Unidas têm alertado que a instabilidade no Mar Vermelho pode afectar as cadeias globais de abastecimento, o comércio internacional e a situação humanitária, ao mesmo tempo que apelam à contenção para evitar uma escalada regional.

Referência à Resolução 2216

Na sua mensagem, Mohammed VI também citou a Resolução 2216 do Conselho de Segurança, adoptada em 2015 no contexto do conflito no Iémen. O comunicado marroquino apresenta esta resolução, juntamente com a 2722, como parte do enquadramento jurídico internacional aplicável aos ataques e à segurança regional.

A Resolução 2722, de 2024, efectivamente faz referência à Resolução 2216 e às obrigações relacionadas com o embargo de armas aos Houthi. O Conselho de Segurança condenou também o fornecimento de armas e material relacionado ao movimento, em violação das disposições aplicáveis.

Na declaração divulgada pelo Gabinete Real, Mohammed VI responsabiliza directamente os Houthi e aqueles que, segundo a posição marroquina, os apoiam, financiam ou fornecem armamento às “milícias terroristas”. O monarca afirma que tais actos devem ser avaliados à luz do direito internacional e das normas internacionais aplicáveis.

 Segurança de Riad estratégica para Rabat

A mensagem de Mohammed VI vai além da condenação dos ataques e reafirma a natureza estratégica das relações entre Marrocos e Arábia Saudita. O soberano marroquino sustenta que os dois países estão ligados por relações históricas, religiosas e políticas e que a segurança dos Estados do Golfo tem implicações directas para os interesses estratégicos marroquinos.

A posição anunciada por Rabat ocorre num momento em que a segurança do Mar Vermelho continua a constituir uma preocupação internacional devido ao impacto dos ataques contra a navegação comercial e às possibilidades de uma expansão das tensões para além do território iemenita.

Para as Nações Unidas, a preservação da liberdade de navegação no Mar Vermelho é relevante não apenas para o comércio internacional, mas também para as operações humanitárias e para as populações que dependem das rotas marítimas da região.

 

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Fósseis humanos desenterrados em Casablanca lançam nova luz sobre a evolução humana https://mzradar.com/2026/09/19/fosseis-humanos-desenterrados-em-casablanca-lancam-nova-luz-sobre-a-evolucao-humana/ https://mzradar.com/2026/09/19/fosseis-humanos-desenterrados-em-casablanca-lancam-nova-luz-sobre-a-evolucao-humana/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:16:37 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/fosseis-humanos-desenterrados-em-casablanca-lancam-nova-luz-sobre-a-evolucao-humana/

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Fósseis humanos recentemente desenterrados em Casablanca, no Reino de Marrocos, estão a lançar uma luz inédita sobre um período-chave da evolução humana em África, datado de há cerca de 773 mil anos. A descoberta resulta de um estudo científico de grande impacto, publicado a 7 de Janeiro de 2026 na prestigiada revista Nature, e envolve uma vasta equipa internacional de investigadores.

Segundo anunciou o Ministério da Juventude, Cultura e Comunicação de Marrocos, os achados enquadram-se no programa franco-marroquino “Pré-história de Casablanca”, fruto de uma cooperação institucional entre o Instituto Nacional de Ciências Arqueológicas e Património (INSAP), do Reino de Marrocos, e o Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros de França, através da missão arqueológica francesa em “Casablanca”.

Os fósseis foram encontrados numa cavidade da pedreira Thomas I, conhecida como Gruta dos Hominídeos, nos arredores de Casablanca. O material analisado inclui várias mandíbulas humanas, pertencentes a dois adultos e a uma criança, bem como restos dentários e elementos pós-cranianos. O conjunto combina características arcaicas observadas no Homo erectus com traços derivados mais modernos.

A análise magnetoestratigráfica, com uma resolução sem precedentes para um sítio hominídeo, permitiu uma datação extremamente precisa dos fósseis. Os sedimentos que preenchiam a cavidade registam a inversão magnética Matuyama–Brunhes, ocorrida há cerca de 773 mil anos, proporcionando uma das cronologias mais robustas alguma vez obtidas para restos humanos deste período.

A colecção documenta populações humanas até agora pouco compreendidas, que viveram numa fase crucial situada entre as primeiras formas do género Homo e linhagens mais recentes. As descobertas preenchem uma lacuna importante no registo fóssil africano, num momento em que dados paleogenéticos situam a divergência entre a linhagem africana que conduziu ao Homo sapiens e as linhagens euro-asiáticas que deram origem aos neandertais e aos denisovanos.

Os fósseis exibem uma combinação única de características primitivas e mais evoluídas, reflectindo populações humanas próximas desta fase de divergência. Estes dados confirmam a antiguidade e a profundidade das raízes africanas da nossa espécie e sublinham o papel fundamental do Norte de África nas principais etapas da evolução humana.

O estudo foi conduzido e apoiado por uma equipa de investigadores e instituições de Marrocos, França, Alemanha e Itália, incluindo o Instituto Nacional de Ciências Arqueológicas e Património, a Direcção do Património Cultural, o Collège de France, o Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, várias universidades europeias e o Museu Nacional de História Natural de França.

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Depois da guerra, o problema pode ser Zelensky: Cresce no Ocidente o debate sobre seu futuro político https://mzradar.com/2026/09/19/depois-da-guerra-o-problema-pode-ser-zelensky-cresce-no-ocidente-o-debate-sobre-seu-futuro-politico/ https://mzradar.com/2026/09/19/depois-da-guerra-o-problema-pode-ser-zelensky-cresce-no-ocidente-o-debate-sobre-seu-futuro-politico/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:16:25 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/depois-da-guerra-o-problema-pode-ser-zelensky-cresce-no-ocidente-o-debate-sobre-seu-futuro-politico/

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Durante os primeiros anos da guerra na Ucrânia, Volodymyr Zelensky foi transformado numa das figuras políticas mais protegidas e promovidas do mundo ocidental. Apresentado como símbolo da resistência contra a invasão russa, recebeu apoio financeiro, militar e diplomático sem precedentes por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados europeus. Mas à medida que a guerra se prolonga e as perspectivas de uma solução negociada começam lentamente a ganhar espaço, surgem também sinais de que o principal problema para algumas capitais ocidentais poderá deixar de ser Moscovo para passar a ser o próprio Zelensky.

Nos bastidores políticos de Washington e de algumas capitais europeias cresce a percepção de que o fim da guerra poderá abrir uma fase extremamente delicada para a liderança ucraniana. A preocupação já não se limita ao campo militar. Envolve questões relacionadas com a gestão dos milhares de milhões de dólares canalizados para Kiev ao longo dos últimos quatro anos, bem como dúvidas sobre a sustentabilidade política do actual presidente ucraniano numa eventual fase pós-conflito.

Nos últimos meses, começaram a multiplicar-se reportagens, comentários e debates em círculos conservadores norte-americanos questionando a forma como os recursos internacionais foram utilizados durante a guerra. Um dos episódios mais mediáticos foi a entrevista da antiga porta-voz presidencial Iuliia Mendel ao jornalista norte-americano Tucker Carlson, onde foram levantadas acusações sobre corrupção, manipulação política e alegados problemas pessoais envolvendo Zelensky.

Embora muitas destas alegações não tenham sido comprovadas e continuem a ser contestadas por apoiantes do governo ucraniano, o simples facto de estarem a ganhar espaço em plataformas influentes dos Estados Unidos revela uma mudança importante no ambiente político que durante anos protegeu a imagem internacional do líder de Kiev.

Ao mesmo tempo, surgem cada vez mais sinais de desgaste dentro da própria narrativa ocidental sobre a guerra. Em Portugal, o jornal Público desmontou recentemente conteúdos manipulados que procuravam reforçar antigas acusações sobre alegado consumo de drogas por Zelensky, mostrando como determinadas campanhas de desinformação continuam activas no espaço mediático europeu.

Mas mesmo quando algumas acusações são desmentidas, o dano político nem sempre desaparece. Em contextos de fadiga da guerra, dificuldades económicas e crescente pressão sobre os contribuintes ocidentais, basta que surjam dúvidas para que a imagem construída ao longo dos anos comece a perder força.

Outro elemento que alimenta as especulações é o debate sobre a própria sucessão política em Kiev. Nos últimos tempos, meios de comunicação e analistas internacionais têm discutido a possibilidade de sectores da elite política norte-americana começarem a considerar alternativas a Zelensky para liderar a Ucrânia numa fase de transição. O argumento central seria garantir a continuidade do alinhamento estratégico com o Ocidente, independentemente do destino político do actual presidente. Segundo informações divulgadas por meios internacionais, existem círculos que admitem a necessidade de uma nova figura capaz de preservar os interesses geopolíticos ocidentais na região caso a popularidade de Zelensky continue a deteriorar-se.

A questão ganha relevância porque a guerra da Ucrânia nunca foi apenas uma disputa territorial entre Kiev e Moscovo. Desde o início do conflito, o país transformou-se também num dos principais palcos da rivalidade estratégica entre a Rússia e o bloco liderado pelos Estados Unidos. Para muitos analistas, enfraquecer militarmente Moscovo tornou-se um objectivo geopolítico tão importante quanto defender a soberania ucraniana.

É precisamente por isso que qualquer mudança de liderança em Kiev é observada com atenção. Um eventual enfraquecimento político de Zelensky não significaria necessariamente uma alteração da estratégia ocidental. Pelo contrário, alguns sectores acreditam que a substituição do actual presidente poderia servir para preservar essa estratégia numa fase em que o desgaste da guerra se torna cada vez mais difícil de esconder.

Enquanto isso, a Rússia acompanha atentamente estes sinais. Para Moscovo, qualquer fractura entre Zelensky e os seus principais patrocinadores internacionais representa uma oportunidade política importante. Já para os aliados europeus que investiram recursos financeiros, armamento e capital diplomático na defesa da Ucrânia, o cenário levanta preocupações sobre aquilo que poderá emergir quando a guerra deixar de dominar as manchetes.

Se durante quatro anos a principal questão foi saber até quando a Ucrânia conseguiria resistir militarmente, a pergunta que começa agora a surgir em vários círculos políticos é outra: até quando Zelensky continuará a ser o homem escolhido pelo Ocidente para liderar essa resistência.

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Da África Ocidental ao Índico: França reposiciona influência militar e levanta receios na África Oriental https://mzradar.com/2026/09/19/da-africa-ocidental-ao-indico-franca-reposiciona-influencia-militar-e-levanta-receios-na-africa-oriental/ https://mzradar.com/2026/09/19/da-africa-ocidental-ao-indico-franca-reposiciona-influencia-militar-e-levanta-receios-na-africa-oriental/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:16:20 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/da-africa-ocidental-ao-indico-franca-reposiciona-influencia-militar-e-levanta-receios-na-africa-oriental/

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  • Recuo no Sahel coincide com aproximação estratégica a Nairobi
  • Paris estaria a procura de uma nova fronteira para preservar seu peso geopolítico?

Depois de décadas a exercer uma influência política e militar quase incontestável nas suas antigas colónias da África Ocidental, a França parece estar a redesenhar o mapa da sua presença no continente. À medida que cresce o sentimento anti-francês e vários países do Sahel encerram um ciclo de cooperação militar com Paris, os sinais apontam para uma crescente aposta francesa na África Oriental, uma região que se tornou estratégica num contexto de competição geopolítica cada vez mais intensa.

A retirada das tropas francesas do Senegal, encerrando uma presença militar de 65 anos naquele país, simbolizou o fim de uma era e confirmou o enfraquecimento da influência de Paris na África Ocidental. O mesmo fenómeno já havia sido observado no Mali, Burkina Faso e Níger, onde governos militares romperam acordos de defesa e expulsaram forças francesas, alegando a necessidade de reafirmação da soberania nacional.

Perante este cenário, observadores internacionais consideram que a diplomacia francesa procura abrir uma nova frente de influência, desta vez em direcção à África Oriental, região menos marcada pelo passado colonial francês e que possui crescente relevância económica e estratégica. A realização, pela primeira vez, de uma cimeira França-África num país não francófono, o Quénia, foi vista por analistas como um sinal inequívoco dessa mudança de paradigma.

Foi também em Nairobi que os presidentes Emmanuel Macron e William Ruto aprofundaram os entendimentos bilaterais em matéria de defesa e segurança. Embora as autoridades quenianas tenham negado a instalação de uma base militar francesa, confirmaram a existência de um acordo de cooperação militar entre os dois países, numa altura em que circulam informações sobre o destacamento de centenas de militares franceses para território queniano.

A crescente aproximação entre Paris e Nairobi suscita, contudo, interrogações em diversos círculos académicos e estratégicos africanos. Há quem tema que, sob o discurso de reforço da cooperação e da promoção da estabilidade regional, esteja em curso uma reconfiguração da presença militar francesa no continente, transferindo o seu centro de gravidade do Atlântico para o Índico.

“A França procura manter-se economicamente e politicamente relevante em África”, observou Jervin Naidoo, analista da Oxford Economics, citado pela Reuters, numa leitura que reflecte o entendimento de que Paris está empenhada em preservar a sua influência num continente onde enfrenta concorrência crescente de potências como a China, a Rússia, a Turquia e os países do Golfo.

Mas é no domínio da segurança que as maiores apreensões se fazem sentir. Nos países do Sahel, sectores políticos e militares acusaram repetidamente a França de falhar no combate ao terrorismo e, em alguns casos, chegaram mesmo a sugerir a existência de relações ambíguas entre actores externos e grupos armados que operam na região. Embora Paris rejeite categoricamente essas acusações, o fracasso das operações militares francesas no Mali, Burkina Faso e Níger contribuiu para alimentar a desconfiança popular e precipitou o colapso da influência francesa na região.

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Burquina Faso rompe relações diplomáticas com a França https://mzradar.com/2026/09/19/burquina-faso-rompe-relacoes-diplomaticas-com-a-franca/ https://mzradar.com/2026/09/19/burquina-faso-rompe-relacoes-diplomaticas-com-a-franca/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:16:09 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/burquina-faso-rompe-relacoes-diplomaticas-com-a-franca/

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  • Por apoiar acções terroristas

A junta militar que governa Burquina Faso anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a França, acusando Paris de actuar contra os interesses do país e de alimentar uma agenda neocolonial na região do Sahel.

Em comunicado transmitido pela televisão estatal, o governo liderado pelo capitão Ibrahim Traoré informou que a medida entrou imediatamente em vigor e justificou a decisão com alegações de que a França tem apoiado redes subversivas e grupos terroristas que operam no país e na região.

“A França continua a demonstrar ambições neocoloniais, evidenciadas pelo seu apoio activo a redes subversivas e aos terroristas que mergulham Burquina Faso e o Sahel em luto”, refere o comunicado da junta militar.

Em resposta, o governo francês classificou a decisão como “hostil e sem fundamento”, afirmando que ela reflecte “a preocupante deriva das autoridades burquinabes”. Paris acrescentou que está a analisar medidas recíprocas em resposta ao rompimento diplomático.

Apesar da ruptura institucional, o governo de Ouagadougou sublinhou que a decisão não afecta os laços históricos, culturais, humanos e sociais entre os povos dos dois países, esclarecendo que a medida se restringe ao plano das relações diplomáticas entre os Estados.

A decisão ocorre num contexto de crescente tensão entre Burquina Faso e a França desde a chegada da junta militar ao poder, em Setembro de 2022, após um golpe de Estado. O regime de Ibrahim Traoré tem adoptado uma postura cada vez mais crítica em relação aos países ocidentais, sobretudo à França, ao mesmo tempo que reforça a aproximação política e militar com a Rússia.

Em Janeiro de 2023, as autoridades burquinabes já haviam exigido a retirada do embaixador francês e determinado o fim da presença das forças especiais francesas estacionadas no país, numa demonstração do crescente sentimento anti-francês.

As relações entre Burquina Faso e a França remontam à independência do país, em 4 de Agosto de 1960. Antes disso, o território era conhecido como Alto Volta Francês e integrava o império colonial francês na África Ocidental. Durante décadas, Paris manteve forte influência política, económica e militar sobre a sua antiga colónia.

O rompimento diplomático reforça uma tendência observada em vários países do Sahel, onde governos militares têm reduzido a cooperação com a França e estreitado relações com novos parceiros, como a Rússia e a China, cujas relações são apontadas como sendo mais de cooperação, do que de exploração imperial. A decisão também representa mais um revés para a estratégia francesa de manter influência na África francófona, num momento em que cresce o debate sobre o legado do colonialismo e o papel das potências estrangeiras na segurança e no desenvolvimento da região.

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Estados Unidos reduzem ajuda para África e priorizam mais extração de minerais críticos https://mzradar.com/2026/09/19/estados-unidos-reduzem-ajuda-para-africa-e-priorizam-mais-extracao-de-minerais-criticos/ https://mzradar.com/2026/09/19/estados-unidos-reduzem-ajuda-para-africa-e-priorizam-mais-extracao-de-minerais-criticos/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:16:03 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/estados-unidos-reduzem-ajuda-para-africa-e-priorizam-mais-extracao-de-minerais-criticos/

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  • AFRICOM falhou: Há mais guerras e alastramento do terrorismo em toda África

A nova estratégia de segurança dos Estados Unidos para África está a provocar um debate crescente no continente. Embora Washington continue a apresentar-se como um parceiro comprometido com a estabilidade africana, analistas e académicos defendem que a política norte-americana falhou em produzir paz duradoura porque privilegiou a militarização em detrimento das causas estruturais dos conflitos.

A nova estratégia de segurança dos Estados Unidos para África está a provocar um debate crescente no continente. Embora Washington continue a apresentar-se como um parceiro comprometido com a estabilidade africana, analistas e académicos defendem que a política norte-americana falhou em produzir paz duradoura porque privilegiou a militarização em detrimento das causas estruturais dos conflitos.

O debate ganhou novo impulso depois de responsáveis norte-americanos terem assumido uma abordagem mais pragmática e menos assistencialista em relação ao continente, defendendo que os países africanos devem assumir maiores responsabilidades pela sua própria segurança e que a relação com África deve ser orientada por interesses económicos concretos, particularmente no acesso a minerais críticos e cadeias de abastecimento estratégicas.

A mudança representa uma ruptura com o discurso tradicional de promoção da democracia e dos direitos humanos. Para muitos observadores, os Estados Unidos estão a abandonar a linguagem dos valores para adoptarem uma diplomacia de negócios, numa altura em que a disputa global por recursos minerais se intensifica.

A estratégia que não trouxe estabilidade

Desde a criação do Comando dos Estados Unidos para África (AFRICOM), em 2007, Washington investiu milhares de milhões de dólares em operações de contraterrorismo, formação de forças especiais, fornecimento de equipamento militar e apoio a governos aliados. Contudo, o continente não se tornou mais seguro.

Pelo contrário. O terrorismo alastrou no Sahel, golpes de Estado multiplicaram-se em vários países da África Ocidental e conflitos armados continuam activos em regiões como o leste da República Democrática do Congo e o Corno de África.

As críticas à estratégia norte-americana são cada vez mais frequentes. O argumento central é que nenhuma operação militar consegue, por si só, resolver problemas enraizados na pobreza, no desemprego, na exclusão social, na corrupção e na fragilidade das instituições estatais.

Para vários analistas africanos, os Estados Unidos apostaram excessivamente na força militar e pouco na construção de Estados mais resilientes e de economias capazes de gerar oportunidades para as populações.

África como peça do tabuleiro geopolítico

Outra crítica recorrente é a percepção de que o continente continua a ser visto pelas grandes potências como um espaço de competição estratégica e não como um parceiro em pé de igualdade.

A guerra na Ucrânia, a crescente rivalidade entre Washington e Pequim e a corrida pelos minerais essenciais à transição energética recolocaram África no centro das disputas globais.

O continente possui cerca de 30% das reservas minerais mundiais, incluindo lítio, cobalto, grafite, manganês e terras raras, matérias-primas fundamentais para a produção de baterias, veículos eléctricos, painéis solares e semicondutores.

Essa riqueza transformou África num território altamente cobiçado. Para muitos governos africanos, a preocupação é que a nova corrida aos recursos reproduza velhas dinâmicas de  exploração, em que o continente exporta matérias-primas e importa produtos acabados, sem conseguir transformar os seus recursos em desenvolvimento sustentável.

A crescente influência da China e da Rússia em África também expôs as limitações da estratégia ocidental. Enquanto os Estados Unidos e os seus aliados privilegiavam o combate ao terrorismo e a assistência militar, Pequim investia em portos, estradas, caminhos-de-ferro e infra-estruturas energéticas através da iniciativa Belt and Road.

Moscovo, por sua vez, ampliou a sua presença por meio de acordos de cooperação militar e fornecimento de equipamentos de defesa. Apesar das controvérsias que envolvem ambas as potências, vários governos africanos consideram que estas parcerias oferecem benefícios imediatos e uma menor interferência nos assuntos internos.

O resultado foi uma progressiva diversificação das alianças externas do continente e uma diminuição da influência exclusiva do Ocidente em várias regiões africanas.

O risco da dependência

Contudo, a multiplicação de parceiros não elimina um problema central: a crescente dependência externa.

Especialistas alertam que a soberania africana está sob pressão sempre que decisões estratégicas passam a ser condicionadas por financiamentos, ajuda militar, empréstimos ou interesses estrangeiros ligados à exploração de recursos naturais.

A dependência económica e tecnológica reduz a capacidade de os Estados definirem autonomamente as suas políticas de desenvolvimento e pode transformar países vulneráveis em simples instrumentos de disputas geopolíticas.

Em muitos casos, a fragilidade das instituições nacionais e a corrupção interna acabam por abrir espaço para a captura de decisões estratégicas por interesses externos.

A chamada “maldição dos recursos naturais” continua a ser um dos maiores desafios do continente. Apesar da abundância de riquezas minerais, muitos países africanos permanecem entre os mais pobres do mundo, incapazes de converter os recursos naturais em industrialização, emprego e melhoria das condições de vida.

A procura de uma alternativa africana

Face a este cenário, cresce em África a defesa de soluções próprias para os problemas do continente. A Agenda 2063 da União Africana, através da iniciativa “Silenciar as Armas”, procura fortalecer mecanismos africanos de prevenção e resolução de conflitos, reduzindo a dependência de actores externos.

Ao mesmo tempo, vários países defendem uma diplomacia económica multilateral, baseada em relações equilibradas com diferentes parceiros internacionais, sejam eles os Estados Unidos, a China, a União Europeia ou os BRICS.

Outra tendência é o reforço do protagonismo regional, com países africanos a assumirem maior responsabilidade na mediação de crises e conflitos, substituindo progressivamente a lógica de intervenções externas.

No fundo, a questão que hoje se coloca ao continente é mais profunda do que a escolha entre Washington, Pequim ou Moscovo.

A verdadeira batalha é pela capacidade de África definir o seu próprio destino, proteger os seus recursos e construir modelos de desenvolvimento que respondam, antes de tudo, aos interesses dos próprios africanos. Porque, num mundo marcado pela disputa por minerais, corredores logísticos e influência estratégica, a soberania tornou-se o recurso mais valioso do continente.

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A guerra invisível pela soberania: como interesses ocidentais moldam o destino dos Estados africanos https://mzradar.com/2026/09/19/a-guerra-invisivel-pela-soberania-como-interesses-ocidentais-moldam-o-destino-dos-estados-africanos/ https://mzradar.com/2026/09/19/a-guerra-invisivel-pela-soberania-como-interesses-ocidentais-moldam-o-destino-dos-estados-africanos/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:15:55 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/a-guerra-invisivel-pela-soberania-como-interesses-ocidentais-moldam-o-destino-dos-estados-africanos/

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A soberania dos Estados já não é ameaçada apenas por conflitos armados ou invasões militares. Cada vez mais, a influência estrangeira exerce-se através do controlo de recursos naturais, do financiamento, da tecnologia e da diplomacia, criando relações de dependência que podem limitar a capacidade dos governos de decidirem livremente sobre o futuro dos seus países. Especialistas alertam que, em África, incluindo Moçambique, a crescente disputa geopolítica pelas riquezas do continente coloca desafios cada vez maiores à autonomia dos Estados, tornando urgente o reforço das instituições e a adopção de políticas que privilegiem o interesse nacional.

Durante décadas, a influência das grandes potências media-se pela presença militar. Hoje, essa disputa assume contornos mais sofisticados. Os investimentos ocidentais em sectores estratégicos, os empréstimos concessionais, a cooperação tecnológica, o acesso a infra-estruturas críticas e o controlo das cadeias globais de fornecimento tornaram-se instrumentos de projecção de poder, capazes de condicionar as opções políticas e económicas dos países mais vulneráveis.

A realidade torna-se particularmente sensível em África, continente que alberga algumas das maiores reservas mundiais de gás natural, petróleo, grafite, cobalto, lítio, manganês, terras raras e outros minerais considerados essenciais para a transição energética global. Paradoxalmente, essa abundância continua longe de se traduzir em prosperidade para grande parte da população africana.

Segundo o Banco Africano de Desenvolvimento, os recursos naturais representam cerca de 62% do Produto Interno Bruto (PIB) africano, quando se contabilizam não apenas os minerais e hidrocarbonetos, mas também os serviços dos ecossistemas e os recursos renováveis. Ainda assim, especialistas da instituição defendem que África continua a exportar riqueza “de uma forma profundamente insustentável”, sem capturar localmente a maior parte do valor económico gerado.

A directora interina do Centro Africano de Gestão dos Recursos Naturais e Investimento do BAD, Vanessa Ushie, advertiu recentemente que “África e o mundo enfrentam uma crise da natureza”, alertando que a subvalorização do capital natural compromete o desenvolvimento sustentável do continente. Na mesma ocasião, o antigo director executivo da Agência Europeia do Ambiente, Hans Bruyninckx, afirmou que África continua historicamente a exportar recursos naturais sem beneficiar plenamente da riqueza que produz, defendendo uma gestão mais sustentável e uma repartição mais equilibrada dos benefícios.

A riqueza que alimenta outros

O paradoxo africano tem sido amplamente estudado pela academia e pelas organizações multilaterais. Apesar da enorme riqueza mineral, energética e agrícola, muitos países africanos continuam fortemente dependentes da exportação de matérias-primas pouco transformadas, importando posteriormente produtos industrializados a preços significativamente superiores.

Este modelo limita a industrialização, reduz a criação de emprego qualificado e mantém economias vulneráveis às oscilações dos preços internacionais.

Um relatório conjunto das Nações Unidas, do Banco Africano de Desenvolvimento, da Comissão Económica para África e da OCDE concluiu que o crescimento económico, por si só, não será suficiente para reduzir a pobreza. O documento defende que os recursos naturais devem servir para diversificar as economias africanas, gerar empregos qualificados, aumentar o valor acrescentado interno e promover políticas sociais inclusivas. “O crescimento não é suficiente”, advertiu, na altura, Mario Pezzini, então director do Centro de Desenvolvimento da OCDE.

Dependência económica reduz autonomia política

A influência estrangeira manifesta-se também através da dependência financeira. Especialistas em economia política observam que países excessivamente dependentes de financiamento externo, ajuda internacional ou grandes investidores podem ver reduzida a sua margem de negociação em matérias estratégicas.

Embora o investimento estrangeiro seja indispensável para muitas economias africanas, analistas defendem que a ausência de instituições fortes pode transformar essa relação numa dependência estrutural, condicionando políticas públicas, prioridades de investimento e decisões económicas.

A competição internacional pelo acesso a minerais críticos utilizados na produção de baterias, semicondutores, equipamentos electrónicos e tecnologias verdes reforçou ainda mais o interesse das grandes potências pelo continente africano.

Para investigadores, a principal vulnerabilidade não reside necessariamente na presença de investidores estrangeiros, mas na fragilidade das instituições nacionais.

Sempre que existam elevados níveis de corrupção, reduzida capacidade regulatória, pouca transparência e sistemas judiciais frágeis, aumenta o risco de contratos pouco vantajosos, concessões desequilibradas e captura de decisões públicas por interesses privados.

Diversos estudos sobre economia política africana concluem que a chamada “maldição dos recursos naturais” resulta menos da existência de recursos e mais da incapacidade institucional para os gerir em benefício da população.

Sem fiscalização efectiva, prestação de contas e capacidade técnica do Estado, a abundância de recursos pode transformar-se num factor de instabilidade, desigualdade e dependência.

O caso moçambicano: Uma riqueza que escapa pelos mares

Em Moçambique, o debate ganha contornos particulares. A descoberta de enormes reservas de gás natural, a exploração crescente de grafite, rubis, areias pesadas e outros recursos estratégicos colocou o país no centro da disputa internacional por matérias-primas críticas.

Nos últimos anos, empresas multinacionais, instituições financeiras internacionais e diferentes parceiros bilaterais aumentaram significativamente a sua presença no país, financiando infra-estruturas, projectos extractivos e iniciativas de desenvolvimento.

Economistas defendem que esta oportunidade histórica só produzirá benefícios duradouros se for acompanhada por políticas robustas de conteúdo local, maior industrialização, transparência na gestão das receitas extractivas e fortalecimento das instituições públicas.

Caso contrário, Moçambique corre o risco de repetir um padrão já observado em vários países ricos em recursos naturais: crescimento económico sem desenvolvimento inclusivo.

Num mundo cada vez mais marcado pela competição geopolítica, África deixou de ser apenas fornecedora de matérias-primas para se transformar num dos principais tabuleiros da disputa internacional por influência económica e estratégica.

O desafio para países como Moçambique consiste em transformar o interesse global pelos seus recursos numa alavanca para o desenvolvimento nacional, evitando que a riqueza do subsolo continue a alimentar a prosperidade de outros enquanto milhões de africanos permanecem à margem dos benefícios que essa riqueza deveria proporcionar.

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Crise no Reino Unido pode redefinir influência de Londres em África https://mzradar.com/2026/09/19/crise-no-reino-unido-pode-redefinir-influencia-de-londres-em-africa/ https://mzradar.com/2026/09/19/crise-no-reino-unido-pode-redefinir-influencia-de-londres-em-africa/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:15:40 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/crise-no-reino-unido-pode-redefinir-influencia-de-londres-em-africa/

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A saída de Keir Starmer do cargo de primeiro-ministro, anunciada em 22 de Junho de 2026, abre uma nova etapa na política britânica e poderá produzir efeitos para além das fronteiras do Reino Unido, incluindo na relação de Londres com África. A mudança ocorre num momento de crescimento económico reduzido, pressão sobre os serviços públicos, crise do custo de vida, imigração, perda de popularidade do Governo e crescente desgaste dos partidos tradicionais.

A chegada de Andy Burnham ao cargo de primeiro-ministro, em 20 de Julho, não representa, por si só, uma ruptura com a política externa britânica. Mas acontece num contexto em que o novo Governo terá de responder a problemas internos que poderão condicionar a capacidade de Londres para manter a actual dimensão dos seus compromissos internacionais.

O Fundo Monetário Internacional projecta um crescimento de apenas cerca de 1% para a economia britânica em 2026, num cenário marcado por preços da energia, condições financeiras restritivas e incerteza económica. O desempenho económico junta-se às dificuldades dos serviços públicos, aos problemas de habitação e ao debate cada vez mais polarizado sobre imigração.

A saída de Starmer é o resultado de uma acumulação de pressões políticas e económicas. O antigo primeiro-ministro chegou ao poder prometendo estabilidade depois de anos de turbulência política no Reino Unido. Contudo, encontrou uma economia com crescimento fraco, serviços públicos pressionados e uma sociedade marcada por fortes divisões.

Os resultados eleitorais desfavoráveis, a perda de popularidade e as divisões dentro do Partido Trabalhista acabaram por reduzir a margem política do Governo.

A mudança de liderança revela, assim, um problema que ultrapassa a figura de Starmer devido a dificuldade de qualquer Governo britânico em conciliar crescimento económico, controlo das contas públicas, manutenção dos serviços sociais e resposta às crescentes exigências de uma sociedade politicamente fragmentada.

A principal consequência da crise poderá ser uma concentração maior da agenda governamental nos problemas domésticos. Burnham terá de lidar com uma economia que cresce pouco, serviços públicos sob pressão, desigualdades regionais, habitação cara e um sistema político onde os partidos tradicionais enfrentam uma concorrência crescente.

Isso poderá afectar a política externa. Manter uma presença global exige recursos financeiros, diplomáticos e militares. Num período de maior pressão sobre as contas públicas, o Governo poderá ser obrigado a definir com maior rigor onde investir esses recursos e quais relações externas produzem maior retorno para o Reino Unido.

O Reino Unido mantém uma presença importante no continente africano através de empresas, instituições financeiras, universidades, programas de cooperação e instrumentos diplomáticos. A sucessão de crises políticas, económicas e sociais no Reino Unido começa a produzir uma questão que ultrapassa as fronteiras britânicas

No entanto, a crise britânica pode obrigar os países africanos a rever os termos das suas relações com uma potência que continua a dispor de capital, tecnologia, capacidade militar e influência diplomática, mas cuja margem de manobra externa está cada vez mais condicionada pelas suas próprias dificuldades internas.

Durante décadas, a ajuda ao desenvolvimento constituiu uma das principais ferramentas da influência britânica em África. A tendência poderá, contudo, caminhar para um modelo cada vez mais orientado para investimento, comércio, energia, minerais estratégicos e segurança.

A mudança não seria necessariamente provocada apenas pela chegada de Burnham. Trata-se de uma tendência mais ampla, associada às dificuldades orçamentais britânicas e à crescente competição internacional por África.

Para Londres, o continente representa mercados em expansão, recursos estratégicos e oportunidades de investimento. Para os países africanos, representa também uma possibilidade de atrair capital, tecnologia e conhecimento. A natureza da relação poderá,  portanto, tornar-se mais transaccional.

Essa realidade poderá contribuir para relações mais horizontais entre Londres e os seus parceiros africanos, com maior espaço para que os governos do continente avaliem diferentes modelos e diferentes fontes de cooperação.

Durante décadas, o Reino Unido apresentou-se como defensor de valores como democracia, boa governação, direitos humanos, estabilidade institucional, transparência económica e Estado de Direito.

Mas a crescente instabilidade política britânica abre espaço para uma pergunta incómoda: até que ponto os países que recebem recomendações sobre governação devem continuar a tratar as instituições britânicas como referência incontestável?

Uma análise recente do Chatham House sobre a relação entre Londres e África é particularmente reveladora. Num comentário publicado a 22 de Julho, dois dias depois de Burnham assumir o cargo, Tighisti Amare, directora do Africa Programme do instituto, defendeu que o novo governo britânico deve estabelecer objectivos claros para África, reforçar parcerias e adoptar uma abordagem mais coordenada.

Mas a análise contém uma mudança importante de perspectiva: África deve deixar de ser vista primordialmente através da lente da ajuda ao desenvolvimento e passar a ser encarada como espaço político, económico e estratégico próprio.

O Chatham House aponta comércio, investimento, financiamento de infra-estruturas, energia, minerais críticos, tecnologia, educação e cooperação institucional como áreas nas quais o Reino Unido ainda pode oferecer vantagens.

Ao mesmo tempo, o instituto alerta para uma fragilidade que interessa directamente aos países africanos: os planos britânicos de redução da ajuda bilateral poderão significar uma redução de 52% da ajuda regional à África nos próximos três anos, segundo a sua análise.

África num mercado global de parceiros com mais opções

A possível redução da margem britânica acontece, entretanto, num momento em que África dispõe de um número crescente de parceiros. China, Rússia, Índia, países do Golfo, Turquia, Brasil, Estados Unidos e União Europeia disputam espaço em sectores como energia, mineração, infra-estruturas, agricultura, tecnologia e defesa.

A competição tende a aumentar à medida que os minerais críticos africanos ganham importância para a transição energética e para as novas tecnologias.

Neste cenário, a crise britânica poderá ter um efeito indirecto importante ao obrigar Londres a competir pela influência africana num espaço onde já não possui a mesma exclusividade histórica.

Os países africanos terão, por sua vez, mais possibilidades de comparar propostas e negociar com diferentes parceiros. A questão central deixará progressivamente de ser a origem histórica do parceiro e passará a ser o que cada relação produz em termos de investimento, emprego, industrialização, transferência de tecnologia, acesso a mercados e receitas para os Estados.

África precisa de transformar recursos em poder de negociação

O Institute for Security Studies (ISS) chega a uma conclusão que reforça precisamente esta necessidade. Num debate sobre as relações euro-africanas realizado em Julho, o instituto destacou que a competição geopolítica pelos minerais críticos está a redefinir as relações entre Europa e África. O desafio, segundo a análise, é alinhar os interesses europeus de acesso a matérias-primas com a ambição africana de obter maior valor acrescentado doméstico.

Isto significa que o debate não deve ser simplesmente sobre quem investe em África, mas sobre o que África obtém em troca dos seus recursos. Minérios de transição energética, gás, petróleo, terras raras, cobre, cobalto, grafite e outros recursos estratégicos estão a transformar o continente num espaço de competição internacional.

A influência britânica já não é incontestável. O ISS observa que o Reino Unido e a França podem ser vistos cada vez mais como “potências residuais” relativamente às grandes mudanças na distribuição global de poder, à medida que o peso relativo dos Estados Unidos, China e de novas potências emergentes aumenta.

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Dívida, guerra e corrupção deixam Ucrânia cada vez mais dependente do Ocidente https://mzradar.com/2026/09/19/divida-guerra-e-corrupcao-deixam-ucrania-cada-vez-mais-dependente-do-ocidente/ https://mzradar.com/2026/09/19/divida-guerra-e-corrupcao-deixam-ucrania-cada-vez-mais-dependente-do-ocidente/#respond Sat, 19 Sep 2026 08:15:27 +0000 https://mzradar.com/2026/09/19/divida-guerra-e-corrupcao-deixam-ucrania-cada-vez-mais-dependente-do-ocidente/

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A economia ucraniana entrou numa fase em que a sobrevivência do Estado depende cada vez mais do financiamento externo, sobretudo ocidental, enquanto a guerra continua a destruir infra-estruturas essenciais e a reduzir a capacidade do país de gerar receitas próprias. Praticamente em “banca rota” com uma economia fortemente dependente de ajuda internacional para financiar o orçamento, manter os serviços públicos e sustentar o esforço de guerra, o país está cada vez mais a se tornar pouco atrativo para investimentos.

Segundo a quinta Avaliação Rápida de Danos e Necessidades (RDNA5), elaborada pelo Banco Mundial, Nações Unidas, Comissão Europeia e Governo ucraniano, as necessidades de reconstrução e recuperação da Ucrânia estão estimadas em 587,7 biliões de dólares nos próximos dez anos, quase três vezes o Produto Interno Bruto nominal projectado para 2025.

A pressão sobre as contas públicas é igualmente pesada. Em Fevereiro deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um novo programa de financiamento de 8,1 biliões de dólares para a Ucrânia. Em Julho, depois da primeira avaliação do programa, o organismo autorizou um novo desembolso de cerca de 690 milhões de dólares, elevando para aproximadamente 2,2 biliões de dólares o montante já disponibilizado no âmbito do actual acordo.

O próprio FMI tem insistido na necessidade de reformas para combater a corrupção, reduzir a economia informal, melhorar a governação e reforçar a capacidade de arrecadação de receitas. Ou seja, a assistência financeira internacional está cada vez mais associada a condições e reformas que Kyiv precisa de cumprir para continuar a receber recursos.

No entanto, a destruição das infra-estruturas económicas está a agravar o problema. Os portos do Mar Negro e do Danúbio são particularmente importantes para a capacidade de exportação da Ucrânia, sobretudo de produtos agrícolas.

Em 1 de Setembro, a Reuters noticiou novos ataques russos contra infra-estruturas portuárias e um posto fronteiriço com a Roménia na região de Odessa. Segundo autoridades ucranianas citadas pela agência, instalações de exportação foram atingidas e o posto fronteiriço de Orlivka teve de suspender temporariamente o processamento de pessoas e veículos.

O impacto ultrapassa a destruição física. Segundo a mesma fonte, os portos da região de Odessa, juntamente com outras estruturas marítimas, são responsáveis por uma parcela dominante das exportações ucranianas. Os ataques obrigam Kyiv a desviar mercadorias para os portos do Danúbio, como Reni e Izmail, e para corredores ferroviários ocidentais, de capacidade mais limitada.

Para um país que depende das exportações para gerar divisas, cada ataque às infra-estruturas portuárias representa, portanto, um golpe não apenas militar, mas também económico.

Corrupção abre nova frente de batalha

À devastação provocada pela guerra junta-se outro problema. A persistência de escândalos de corrupção envolvendo altos responsáveis do Estado e pessoas próximas do poder.

O problema é reconhecido pelo próprio FMI. Em Junho, a Reuters noticiou que o chefe da missão do FMI para a Ucrânia, Gavin Gray, voltou a destacar a necessidade de Kyiv combater a economia paralela, enfrentar a corrupção e melhorar a governação como parte dos esforços para criar um ambiente económico mais competitivo.

Os escândalos também atingiram pessoas próximas do Presidente Volodymyr Zelensky. Existem investigações e alegações de corrupção envolvendo membros do aparelho estatal e figuras ligadas ao poder.

A questão ganha particular sensibilidade porque os recursos que alimentam o orçamento ucraniano são, em grande medida, provenientes de parceiros estrangeiros. Quanto mais casos de corrupção surgem, maior é a pressão sobre Kyiv para demonstrar que o dinheiro recebido é administrado de forma transparente.

Cada fez afundando em dívida

A Reuters noticiou que vários Estados-membros da União Europeia defendem acelerar a disponibilização de parte dos fundos previstos para Kyiv. A discussão envolve um empréstimo europeu de 90 biliões de euros, cuja libertação pretende responder às crescentes necessidades financeiras da Ucrânia.

A realidade é mais complexa do que um simples abandono. O que se observa é uma Ucrânia cada vez mais dependente de mecanismos de financiamento externos e, simultaneamente, uma Europa que procura distribuir o peso financeiro da guerra por instrumentos de crédito, reformas e garantias, afundando cada vez mais na dívida.

Em 1 de Setembro, o Parlamento ucraniano não conseguiu aprovar uma proposta fiscal ligada ao desbloqueamento de financiamento do FMI e da União Europeia. A medida precisava de 226 votos, mas recebeu apenas 194. Segundo a Reuters, a reforma poderia arrecadar cerca de 10 biliões de hryvnias por ano e fazia parte de um conjunto de medidas associado a cerca de 30 biliões de dólares em financiamento internacional.

O episódio mostra até que ponto a política orçamental interna de Kyiv está ligada às decisões dos seus credores e parceiros externos.

África entra cada vez mais no radar ocidental

É neste contexto que ganha importância a crescente atenção das potências ocidentais a África. Não significa que os Estados Unidos ou a Europa estejam simplesmente a trocar a Ucrânia por África. São processos paralelos. Mas a competição por mercados, matérias-primas, energia, minerais críticos e novas cadeias de fornecimento está a colocar o continente africano no centro da estratégia económica das grandes potências.

A União Europeia, através da iniciativa Global Gateway, tem previsto um pacote de investimentos de 150 biliões de euros para África, destinado a projectos de energia, transportes, digitalização, saúde, educação e crescimento económico.

Os minerais críticos assumem particular importância neste reposicionamento. A Europa procura diversificar as suas fontes de matérias-primas estratégicas, enquanto os Estados Unidos também procuram aprofundar a cooperação com países africanos ricos em minerais considerados essenciais para as novas tecnologias e para a transição energética.

O movimento é revelador: enquanto a Ucrânia necessita de centenas de biliões de dólares para reconstruir aquilo que a guerra destruiu, África aparece simultaneamente como mercado consumidor, destino de investimento, fonte de matérias-primas e espaço estratégico de competição entre grandes potências.

É neste ponto que a posição assumida por grande parte dos países africanos perante a guerra da Ucrânia pode ser relida. Ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, que assumiram desde cedo uma posição fortemente alinhada com Kyiv, muitos países africanos procuraram manter uma postura de não alinhamento automático, evitando transformar o conflito europeu numa guerra própria.

Essa posição não significou necessariamente apoio à Rússia. Em muitos casos, representou uma tentativa de preservar relações simultaneamente com Moscovo, Washington, Bruxelas, Pequim e outros parceiros, numa lógica de defesa dos próprios interesses nacionais.

E, enquanto a Ucrânia procura sobreviver à guerra e encontrar financiamento para reconstruir um país devastado, África começa a ser cortejada não apenas como parceira diplomática, mas como mercado, fonte de matérias-primas e espaço estratégico para o próximo ciclo de competição económica global.

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