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CULTURA

Moreira Chonguiça reflecte sobre o centenário de Miles Davis e o jazz moderno

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O centenário de Miles Davis chegou. Inicia-se o segundo século. Que mudanças o jazz sofreu nos 100 anos desde que Miles Dewey Davis nasceu em St. Louis, a 26 de Maio de 1926?

Davis era totalmente a favor de mudança, evolução, crescimento e reinvenção. A homenagem da All About Jazz a Miles Davis é uma celebração da comunidade global do jazz.

O website especialidade allaboutjazz.com pediu a músicos de 100 países em todo o mundo, dentre os quais o saxofonista, etnomusicólogo, produtor e compositor moçambicano Moreira Chonguiça que partilhassem os seus pensamentos sobre Miles Davis. As respostas são reveladoras.

Chonguiça começa por afirmar que “Miles Davis tem sido uma influência profunda na minha jornada musical. Tive o privilégio de interpretar a minha própria versão de uma das suas músicas com Manu Dibango no nosso álbum M & M: Moreira Chonguiça and Manu Dibango (Morestar Entertainment, 2017), que carrega um significado emocional muito forte para mim. A música é “Tutu”, escrita por Marcus Miller e apresentada no álbum Tutu de Miles Davis. A composição é uma homenagem ao falecido Arcebispo Desmond Tutu e ressoa comigo em muitos níveis.

Para Chonguiça, a música representa mais do que som, reflecte uma poderosa narrativa histórica. Ela fala da luta e da opressão que os negros enfrentaram na África do Sul. Vindo de Moçambique, um país vizinho que desempenhou um papel significativo durante a luta de libertação e mais tarde estudando na África do Sul, logo após a transição política, testemunhei como essas experiências moldaram profundamente as pessoas ao meu redor. Também tive amigos ligados ao ANC que viveram em Moçambique durante o exílio.

Assim, acrescenta Moreira, essa música influenciou-me não apenas artisticamente, mas também emocional e historicamente, porque a sua história vai muito além das notas.

O maior legado de Miles Davis, para o etnomusicólogo moçambicano, foi a sua abertura para a nova geração. Ele sempre criou espaço para jovens músicos e buscava energia neles. Nunca permaneceu na sua zona de conforto, estava constantemente a reinventar-se, constantemente a olhar para a frente.

Segundo Chonguiça, Mile Davis também nos ensinou que a música é uma forma de expressão além do som. Como pintor, experimentava a música de forma visual, via música em cores azuis, verdes e matizes de emoção. Essa visão artística lembra-me que a criatividade não tem limites, e que a verdadeira inovação vem da curiosidade, da coragem e da disposição de evoluir. Como grande admirador do seu génio, carrego isso comigo constantemente.

Texto: Adaptado do site allaboutjazz.com

Foto: allaboutjazz.com

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