Óscar Monteiro, veterano da luta de libertação nacional e orador principal na aula magna, destacou a importância de revisitar o pensamento colectivo defendido por Samora Machel.
Segundo afirmou, no imaginário popular, Samora Machel é frequentemente recordado sobretudo como comandante militar. Contudo, sublinhou que o seu legado intelectual vai muito além dessa dimensão, exigindo uma leitura mais profunda e actualizada.
Monteiro referiu que os escritos de Samora revelam uma visão ampla e estruturada sobre diversos domínios da vida política e social, ultrapassando a imagem militar que marcou a sua liderança. Entre os temas abordados, destacou a organização militar, a participação dos militares no exercício do poder, a emancipação da mulher, a filosofia da produção agrícola, o valor do trabalho manual entre os combatentes, a educação como responsabilidade individual e o progresso da sociedade.
O veterano acrescentou ainda que Samora Machel defendia que Moçambique e os moçambicanos poderiam atingir níveis de desenvolvimento iguais ou até superiores aos dos países tecnicamente mais avançados. Para isso, segundo afirmou, o antigo Presidente promovia uma cultura assente no pensamento crítico, na disciplina e na valorização do trabalho como pilares fundamentais do desenvolvimento nacional.
Óscar Monteiro falava ontem, durante uma aula magna realizada no âmbito das comemorações dos 40 anos da morte do primeiro Presidente de Moçambique, Samora Machel.
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